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13
Mai
2022
Diga-me quem tu endeusas e eu te direi: que pena

Diga-me quem tu endeusas e eu te direi: que pena

Diga-me quem tu endeusas, e eu te direi: que pena.

Na política e na psicanálise o que está em jogo é o ato, agieren, nossa forma (solitária) de conduzir as ações numa ética do não todo. Trata-se de um fazer, mais do que um pregar.

Muito distante dessa postura, está a adoração a um mestre, colocado no lugar de exceção, daquele que irá orientar a todos, aquele que existe, que detém o saber.

Embora essa última postura seja bem mais carregada de afeto, pois toca na fantasia fundamental do infantil, do amor ao pai, é a primeira que devemos visar, enquanto adultos, responsáveis pela nossa prática, pelo mundo que queremos.

Ainda que precisemos de líderes, governantes, diretores, membros e tudo o mais que as hierarquias permitirem, estes não devem ocupar, nem serem colocados no lugar de salvadores. O líder é só mais um, castrado, que irá representar o desejo dos demais, uma causa comum.

Parece-me importante lembrar isso num momento em que os afetos e identificações ficam cada vez mais inflamados. Se a psicanálise e a esquerda dizem que prezam pelas singularidades, está na hora de fazer valer esse pressuposto na prática.

Enquanto não aceitarmos nossa "orfandade" como condição de uma prática mais responsável, continuaremos promovendo as pequenas (e grandes) ditaduras da vida cotidiana. Quanto maior é o deus, maior é a pedra na Geni.

Loren Costa

Loren Costa

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