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27
Mai
2021
Marguerite Duras e a imagem para além do espelho

Marguerite Duras e a imagem para além do espelho

Marguerite Duras e a imagem para além do espelho

Marguerite Duras foi uma importante escritora francesa, diretora de cinema, novelista, poetiza, roteirista do belíssimo filme “Hiroshima, meu amor”, que abole as fronteiras entre o documentário e a ficção, “India Song” em que vozes sem rosto falam entre si, entre outros.

Entre suas obras literárias, “O amante” (1984), autobiografia que narra o amor tumultuado de Duras pelo comerciante chinês na Indochina do pós-guerra. O romance ganhou o prêmio Goncourt e foi traduzido em mais de 40 línguas, se tornou best-seller na França. “O amante da China do Norte” (1991) foi uma resposta literária à adaptação de “O amante” ao filme de Jean Jacques Annaud e é por ele que começamos a conversa do vídeo.

Foi com o romance “O deslumbramento de Lol V. Stein”, de 1964, que Lacan fez a “Homenagem a Marguerite Duras pelo arrebatamento de Lol V Stein” (1965) que está publicado no volume “Outros Escritos”. Lacan afirma então que a obra da escritora faz com que o leitor é que fique arrebatado. Sem dúvida, Duras não deixa o leitor sair “ileso” de sua transmissão. Em títulos como “A dor” e “Uma barragem contra o pacífico” percebemos uma influência direta dos acontecimentos de sua vida e essa potência feminina a consagra uma das vozes mais importantes de seu tempo. Em seu livro “Écrire”, ela se inspirou na psicanálise lacaniana para se guiar nesse processo de costura entre as personagens e a teoria.

É como se ela fizesse um “mosaico de restos” de imagens, vozes, experiências e escrita. O que está em jogo são os objetos que caem perdidos: o olhar, a voz, a letra e isso traz à trama o enigma como personagem principal.

Enquanto a imagem do espelho é essa que se pretende completa, que ludibria as falhas e os furos, a obra de Duras parece nos convidar ao que está para além do espelho, pois é uma montagem que se faz com os restos, uma manipulação, como sugere Lacan no “Seminário 24” (1976/77). Poderíamos dizer que trata-se do “saber-fazer” com o sintoma? Se entendermos o sinthoma, esse escrito com th, como essa costura de restos que o sujeito se identifica, podemos dizer sim, Duras é essa história. E como a escritora diz em “O amante”: “a história da minha vida não existe”.

Loren Costa

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